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“Mesmo sendo independente, uma cooperativa não precisa andar sozinha”

As cooperativas independentes representam ¼ do total do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). Para elas, a autonomia de gestão é um motivo de orgulho. Até aí, tudo bem! Mas é importante lembrar que ser independente não significa caminhar sozinha.

As cooperativas independentes não precisam carregar o mundo nas costas, tentando resolver todos os problemas sozinhas”, alerta Harold Espínola, chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias do Banco Central do Brasil (Desuc). “É possível intercooperar. Fazer parcerias. Não é por dar as mãos, que elas perderão a singularidade.”

De acordo com Espínola, a melhor maneira dessas cooperativas crescerem é investindo na intercooperação — parceria de negócios com outras instituições cooperativistas.

“É fácil perceber o valor da intercooperação ao pensarmos no nosso dia a dia. Se você, uma cooperativa, for sozinha comprar um produto ou contratar um serviço, não vai conseguir uma boa negociação. Mas se 50 pessoas (ou cooperativas) chegarem juntas, elas ganham força para negociar. Foi por isso que os pioneiros de Rochdale se uniram; e é por isso que as cooperativas independentes precisam se unir.”

 

OPORTUNIDADE DE NEGÓCIOS

Em palestra que reuniu 111 representantes de cooperativas independentes de todo o Brasil, durante o 4º Fórum Integrativo Confebras, Harold Espínola fez um alerta importante para o nosso setor: “os dirigentes de cooperativas precisam entender que os princípios do cooperativismo não são um ideal romântico apenas. Eles são uma oportunidade e ferramentas de negócios”.

Espínola fala isso com conhecimento de causa. Afinal, ele coordena um departamento do Banco Central que cuida de uma gama grande de instituições, incluindo cooperativas, fintechs, instituições de pagamento, corretoras, financeiras etc., ou seja, ele tem uma visão bem ampla do mercado.

Existem quase 2 mil instituições financeiras, reguladas pelo Banco Central, atuando no mercado. Há muitos bons produtos e serviços sendo oferecidos por muitas instituições. Nesse cenário, é cada vez mais desafiador estabelecer diferenciais para atrair e fidelizar o cliente”, avalia.

Se por um lado existe um aumento expressivo de instituições financeiras no país, por outro o mercado consumidor não está crescendo tanto assim. Nem no Brasil e nem em outros países. Por isso, é fundamental que as cooperativas mostrem ao público o que elas têm de diferente.

“Muitas pessoas ainda não entendem a diferença entre uma cooperativa de crédito e um banco. E esse desconhecimento é uma fragilidade para vocês. É preciso mostrar porque as cooperativas são diferentes”, recomenda.

Para Espínola, o principal diferencial de uma cooperativa é justamente ser uma sociedade de pessoas, guiada por princípios e valores humanizados. “Uma empresa de capital que adota práticas semelhantes vira uma cooperativa? Não! A cooperativa é diferente porque ela é uma sociedade de pessoas, criada para melhorar a vida de seus cooperados e das comunidades onde elas atuam. E quando uma cooperativa se distancia desses princípios, o que ela passa a ser …?”, completa, em uma provocação para reflexão.

 

DESAFIOS

Depois da pandemia da Covid-19, muitos brasileiros passaram a só se relacionar virtualmente com suas instituições financeiras. Nas cooperativas de crédito não foi diferente. Hoje, milhares de brasileiros estão associados a uma coop financeira sem nunca ter pisado em uma delas.

As cooperativas têm o desafio de transformar esse público que está chegando via aplicativo em um cooperado de fato, não apenas em um usuário de serviços financeiros”, aconselha Harold Espínola. “Se esses novos associados não entenderem qual o sentido e os benefícios em ser cooperado, a qualquer tempo, em visão simplista, ele pode acabar trocando de prestador de serviços quando encontrar taxas melhores.”

De acordo com o representante do BC, atualmente os cooperados costumam distribuir suas operações de crédito na seguinte proporção: para cada R$ 1 tomado em uma cooperativa de crédito, eles têm outros R$ 3 contratados com  outras instituições financeiras.

Se as cooperativas conseguissem trazer esses R$ 3 para dentro do cooperativismo, elas  cresceriam quatro vezes mais, sem colocar nenhum novo associado em sua carteira”, analisa.

O chefe do Desuc terminou sua palestra com uma reflexão para os diretores, dirigentes e conselheiros das cooperativas de crédito brasileiras: “o papel de cada um de vocês, neste momento, é o de direcionar o barco do cooperativismo rumo ao crescimento. E vocês só conseguirão fazer isso se entenderem o que está acontecendo à sua volta.”

De acordo com Espínola, para conduzir o barco do cooperativismo rumo ao crescimento,  nossos dirigentes precisam entender por que os cooperados ainda não estão colocando todos os seus recursos nas suas cooperativas.

“Falta algum produto ou serviço?”, questiona o executivo. “Ele não está seguro para colocar todos os seus recursos em uma instituição cooperativa? Será que ele poderia adquirir os produtos que eu não ofereço de outra cooperativa parceira? Pensamentos como esse são importantes e levam a uma mesma resposta: sem intercooperação fica mais difícil crescer.”

Espínola concluiu sua fala elogiando a decisão da Confebras de fomentar a intercooperação no cooperativismo financeiro. “Eu fico muito feliz de estar aqui, neste evento, que também é intercooperativo, por estar unindo a Confebras, a Federação Nacional das Cooperativas de Crédito (FNCC) e o Sistema OCB. Isso é cooperativismo na veia.”

 

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