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Estratégia, criatividade e inovação, considerada a tríade do futuro dos negócios, será o norte da palestra de encerramento do 3º Fórum Integrativo Confebras Digital, que ocorre entre os dias 11 e 12 de novembro, gratuito e totalmente online. A palestrante Maria Augusta Orofino, facilitadora de workshops empresariais e professora de importantes instituições de ensino, como ESPM, HSM e Fundação Dom Cabral, é quem vai tratar desse tema tão crucial para o mundo dos negócios, sobretudo para o Cooperativismo Financeiro.

Maria Augusta concedeu uma entrevista exclusiva para a Confebras, em que fala sobre inovação, criatividade, sustentabilidade nos negócios, Design Thinking e Modelos de Negócios – nessas duas últimas abordagens, ela é referência no Brasil. A palestrante também apresentou, em linhas gerais, os tópicos principais da sua palestra durante o Fórum, prevista para o dia 12 de novembro, às 19h. Confira!

1. O que é “tríade do futuro dos negócios: estratégia, criatividade e inovação”, tema da palestra de encerramento do 3º FIC?

Maria Augusta: O que está posto hoje requer algumas mudanças e nós já estamos fazendo mudanças bem acentuadas nos últimos 10 anos. Há uma grande aceleração a partir das empresas de base tecnológica, com toda a transformação digital que vem acontecendo. A gente viu o que foi o ano de 2020, ainda mais na questão da transformação digital. E aí a gente olha para a frente e pensa na estratégia: o que eu preciso entender e para onde que eu vou, qual o caminho que eu vou seguir. Por que escolher A ou B – e é isso que a gente chama de estratégia – não adianta olhar para a frente e não saber o que vai se fazer. Nós temos que sair desse ponto de marasmo, pensar em novas formas de atender e, principalmente, observar quais são os problemas das pessoas. Hoje a gente vê as organizações partindo para a inovação e criatividade, e isso significa que elas começam a moldar os seus negócios a partir da necessidade das pessoas. Hoje, a gente busca a criatividade e a inovação, focando nas pessoas, para entender o que elas precisam para resolver a sua questão. É isso o que vamos abordar durante a palestra: como eu preciso entender, como eu descomplico essa inovação, como eu resolvo. Eu sempre comento que inovar é causar impacto positivo na vida das pessoas e é isso que a gente precisa fazer como tal.

2. De que maneira os negócios, sobretudo no Cooperativismo de Crédito, podem se beneficiar com a inovação?

Maria Augusta: Com tudo! Nós estamos diante de um momento da economia circular, onde trazemos esse conceito de não um só receber, mas de todos ganharem juntos. O cooperativismo já é inovador nesse sentido, ele já é equânime e traz a resolução de um monte de problemas, principalmente em uma cooperativa de crédito, onde  a gente já sabe que as sobras são divididas entre os seus associados, onde as taxas são menores e onde se tem um colegiado para gerir. As cooperativas são muito inovadoras no conceito perante um banco tradicional, no qual somente uma minoria ganha e o restante paga por aquilo ali. Trazer esses conceitos para o Cooperativismo de Crédito e, principalmente, beneficiar-se da inovação, da economia circular, tem muita aderência a esse assunto.

3. Como a inovação pode ou deve ser percebida no Cooperativismo Financeiro?

Maria Augusta: Primeiro, ela não é algo complicado. Inovar é causar impacto positivo na vida das pessoas e ela é necessária porque a mudança vai acontecer. Quando eu falo em inovação, principalmente para uma cooperativa financeira, a pergunta que eu sempre deixo é a seguinte: onde eu consigo encontrar dinheiro novo – inovar é encontrar dinheiro novo. Cito um exemplo, que aconteceu com o Magazine Luiza durante a pandemia: ele já tinha uma pretensão de realizar rapidamente a possibilidade de qualquer pessoa usar a plataforma do Magalu para vender. O que aconteceu? Eles cresceram durante a pandemia, quando muitas empresas quebraram porque eles inovaram na forma de vender produtos – abriram o espaço que tinham para que outros vendessem e com isso geraram um dinheiro novo. Então, inovar é entender que tudo o que nós fazemos até então será copiado. Se eu não criar, se eu não inovar, outros chegarão e copiarão, principalmente em Cooperativas de Crédito.

4. E como promover esta nova visão de maneira sustentável?

Maria Augusta: A inovação por si só tem que ser sustentável. Ela está no tripé do ecológico, do ambiental e das pessoas. Não é possível inovar se prejudico o meio ambiente, se não considero a finitude dos recursos naturais. Os recursos naturais são finitos, as pessoas são finitas e o lado financeiro também é. Quando eu trabalho o sustentável, eu considero essa finitude dos nossos recursos e faço melhor uso dele. Trazendo para a inovação, o conceito preconizado pela Toyota, que foi o conceito lean, depois a lean startup, que é tirar tudo o que é desperdício. Quando se trabalha o conceito do lean, do enxuto, trabalha tirando desperdício e com isso passa a se falar em sustentabilidade. Não há a necessidade de gastar além daquilo que é preciso, ter estruturas monumentais, investir dinheiro em grandes áreas, mas, pelo contrário: como hoje eu convivo com a natureza in natura? Como eu valorizo as pessoas na sua essência? Como eu otimizo esses recursos? Isso tem tudo a ver com o sentido da cooperativa, com o sentido de inovação, dessa finitude dos recursos e, portanto, essa condição de ser sustentável. Hoje em dia, se o negócio não é sustentável, ele não é inovador. Ter muito dinheiro, gastar muito, desperdiçar muito é o velho modelo. Hoje, a pergunta é: como é que eu faço mais com menos, degradando menos o meio ambiente e agradando mais as pessoas? Esse é o grande segredo.

5. Você é pioneira e um dos grandes nomes envolvidos no desenvolvimento de Modelos de Negócio Inovadores e em Design Thinking no Brasil. Conte um pouco sobre a importância dessas abordagens.

Maria Augusta: Primeiro: o Design Thinking é ser uma empresa de design driven ou orientada pelo design – significa que eu coloco as pessoas no centro, crio novos negócios a partir do profundo estudo dos problemas das pessoas. Esse é o fundamento do Design Thinking, ele é centrado na pessoa. Isso tem tudo a ver quando a gente está falando do cooperativismo, que é feito para as pessoas e por pessoas. Sobre a abordagem Modelo de Negócio, o cooperativismo é um grande modelo nesse sentido, pois traz na sua essência a divisão das sobras, dessa coletividade, utilizando menos recursos, gerando parcerias estratégicas. Eu vejo que evidenciar o modelo de negócio do cooperativismo, principalmente financeiro, é trazer um modelo bastante inovador.

6. O seu propósito está bem claro em seu site. A partir disso, como ampliar a capacidade de agir de pessoas e organizações?

Maria Augusta: É empoderando, dizendo que elas podem. Para mim, propósito é buscar a sua essência. Qualquer um pode entender de inovação, qualquer pessoa pode ser inovadora, qualquer pessoa pode ser criativa – não há impeditivo para isso. A maneira como eu amplio a capacidade de agir das pessoas é devolvendo confiança a elas, é passando informação e conhecimento para que elas tenham confiança de si próprias e sigam essa jornada de descoberta, considerando que a vida é maravilhosa.

7. O que as pessoas podem esperar da sua palestra no 3º Fórum Integrativo Confebras Digital?

Maria Augusta: Eu gostaria que ao final dessa minha fala as pessoas pudessem ver como é simples inovar, como ter uma estratégia não é uma questão de grandes empresas ou grandes executivos. Que, sim, todos nós precisamos de uma estratégia na vida, precisamos ser criativos e ver que a inovação não é complicada. Se eu conseguir simplificar essa linguagem para que todos entendam, então o meu objetivo foi atingido. Eu tenho procurado, agora, ao longo dessa minha vida de pesquisadora e de repassadora de conhecimento, desmistificar e empoderar as pessoas dizendo “sim, você pode dominar”. Quando as pessoas dizem: “Ah! Mas eu não sei tanto quanto você” -, é porque eu estou estudando um pouco mais à frente, mas qualquer pessoa pode chegar muito além. Dedique-se de coração que você vai conseguir chegar nessa descoberta pessoal.

A Confebras conta com o patrocínio de Grupo ProtegeCrediSIS, Icatu Coopera, MAG Seguros, CNAC – Confederação Nacional de Auditoria Cooperativa, Unicred, FNCC – Federação Nacional das Cooperativas de CréditoSicoobYassakaZaia, e o apoio da Central AilosCooperforte, Sicredi, além do apoio institucional do Banco Central do Brasil.

Para se inscrever no evento, basta acessar aqui https://confebrasdigital.coop.br

Sobre Maria Augusta Orofino

Palestrante e facilitadora de workshops empresariais em Inovação, Metodologias Ágeis, Business Design Thinking e Liderança Inovadora. Já capacitou mais de 10 mil pessoas nos últimos oito anos. Palestrante TEDx., professora da ESPM, HSM, Fundação Dom Cabral e Sustentare.  Mestre em Gestão do Conhecimento com cursos de extensão realizados na Duke University e UC Berkeley – USA e Universidade de Barcelona – Espanha. Foi coordenadora do programa INOVA-SC entre 2011 e 2013 e responsável pela implantação de 13 polos de inovação em Santa Catarina. É autora do livro Liderança para Inovação e coautora dos livros Business Model You e Ferramentas Visuais para Estrategistas.